sexta-feira, 25 de março de 2011

Três projetos simples e baratos para transformar água suja em potável


Mais de 31 milhões de brasileiros ainda não têm água tratada, segundo o IBGE. A água contaminada ainda é uma das principais causas de doenças.

Kíria Meurer, Daniela Branches e Alessandro TorresFlorianópolis-SC, Manaus-AM e Beberibe-CE
Mais de 31 milhões de brasileiros ainda não têm água tratada, segundo o IBGE. A água contaminada ainda é uma das principais causas de doenças em todo o país. Por isso, no dia mundial da água, oJornal Hoje divulga três projetos simples e baratos que podem melhorar bastante a saúde da população.
Pirâmide
Uma pirâmide transparente que faz mágica. Transforma água suja ou até salgada em água potável. Sem usar fogo nem eletricidade. O combustível que faz a pirâmide funcionar existe de sobra no Brasil: é o sol.
Primeiro, a água é colocada em um galão que enche uma caixa. Os raios solares passam pela cúpula de vidro e aquecem a água, que evapora. O vapor sobe, condensa no vidro inclinado, escorre para as canaletas laterais e pronto: o que sai do outro lado é água pura, livre de sal e de qualquer bactérias ou vírus.
“Se for fabricada em série custa em torno de 500 reais e produzirá oito litros d’água por dia. O suficiente para que uma família de cinco pessoas possa beber e cozinhar”, explica Maurício Sens, doutor em tratamento de água da UFSC.
Em 2008 a Fundação Nacional de Saúde testou a pirâmide e concluiu que essa é a forma mais barata e eficiente de purificar água em zonas rurais. Segundo a Funasa, a pirâmide está sendo testada em quatro escolas de Santa Catarina.
Para saber maiores informações sobre a pirâmide, entre em contato com o professor Maurício Luiz Sens pelo endereço: mls@ens.ufsc.br.
Garrafas PET
No Amazonas, 400 famílias de ribeirinhos que vivem nas reservas de Mamirauá e Amanã aprenderam um jeito ainda mais prático de garantir água boa para toda a família, sem gastar nada. Basta ter em casa uma coleção de garrafas pet.
Eles recolhem em uma caixa d’água a chuva que cai no telhado. O sistema de captação é o mesmo das cisternas que o governo construiu no Nordeste. Só que na Amazônia, não adianta fazer cisternas na terra, pois durante a cheia fica tudo alagado. É aí que entram as garrafas.
A moradora Maria das Graças Rodrigues, conhecida como Iracema, tem um estoque de 148 garrafas guardadas na cozinha. “Só não estão cheias na época do verão, que vai secando. Vou lavando e vou guardando e, logo que chove, eu vou enchendo de novo”, conta.
Ainda não há um levantamento científico sobre o impacto do uso da água da chuva na saúde desses ribeirinhos, mas os agentes sanitários garantem que a situação melhorou muito.
“Diminuíram os casos de diarreia e as crianças e suas famílias estão também consumindo mais água”, explica Edila Ferreira Moura, socióloga da UFPA e pesquisadora do Instituto Mamirauá.
O Instituo de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá tem mais informações sobre esse projeto na página www.mamiraua.org.br ou pelo telefone (97) 3343-2736.
Purificação solar
Armazenar água da chuva é uma ótima solução, mas antes de usar ela precisa passar por um processo de limpeza. Água de poço, então, nem se fala. Dá para fazer tratamento com filtros ou com cloro. Mas jeito mais simples e barato é a purificação solar.
É só colocar toda a água que você vai usar nos próximos dias em garrafas de plástico transparentes. Colorida ou de vidro não servem. Basta deixar seis horas no sol. Com céu nublado, elas precisam ficar expostas por dois dias. O que funciona aqui não é o calor, mas a radiação solar.
Para tirar a dúvida, a Universidade Federal do Ceará examinou uma amostra de água retirada do poço.
“Esses pontos amarelos indicam a presença de coliformes totais na água”, mostra Antonio Lima Farias Filho, engenheiro químico da UFC. Depois de seis horas no sol, fizemos um novo exame. A água que estava poluída agora está limpa, pronta para ser bebida. “Não há bactérias do grupo coliformes", atesta o engenheiro.
 

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