domingo, 28 de agosto de 2011

Vagabundagem e corrupção



Todo corrupto é um vagabundo, um imprestável, um cínico. Mas nem todos os vagabundos são corruptos. Há vagabundos inofensivos. Ficam apenas, como se diz, na deles, na boa. Limitam-se a ficar ociosos, sem atrapalhar a vida de ninguém, sem causar prejuízos a quem quer que seja. Não é o caso do corrupto daqui, aquele que, além de ser corrupto, é vagabundo.


Na condição de vagabundo, é um imprestável, um cínico, um ladravaz de primeira categoria.O corrupto vagabundo, para quem não sabe, tem orgulho de roubar o Pará, de barbalhizar seus cofres. O corrupto vagabundo do Pará não apenas é corrupto como sempre viveu na ociosidade. Nunca trabalhou na vida. Nem mesmo quando exerceu mandatos eletivos. Nem mesmo quando foi governador por duas vezes e, mesmo fazendo administrações inoperantes, notabilizou-se por escândalos como o do Banpará, uma das fontes de seu enriquecimento que ele nunca explicou e, por não explicar, acabou sendo forçado a renunciar ao mandato de senador, em 2001.


Em meio a essa vagabundagem toda, ele não se desligou - nem por um minuto sequer - de apenas uma ocupação: a de desfalcar, a de barbalhizar o erário sem parar. Nessa atividade rendosa, mas criminosa, ele acumulou patrimônio invejável, que causa repulsa a todos os paraenses. Entre o patrimônio desse bandidão encontra-se a Rede de Corrupção da Amazônia, a RCA. Integram-na um jornal, verdadeiro diário de imundícies; uma emissora de rádio, verdadeiro clube que transmite repugnâncias, e uma emissora de televisão, que seleciona em sua programação o melhor de imundícies e repugnâncias.


Os três veículos são a cara do chefe. Como o chefe é nojento, só veiculam nojeiras. E por falar em nojeiras e nojentos, e por falar em corrupção, e por falar em crimes, nos últimos dias o corrupto que barbalhiza o Pará ingressou em nova fase de esperneios, desde que O LIBERAL começou a relembrar trechos da denúncia que o Ministério Público Federal ofereceu em 2002, contra ele próprio - o ladravaz que se habituou a assaltar os cofres públicos - e mais 58 pessoas, todos acusados de malbaratar em mais de R$ 130 milhões os cofres da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).


Na ação penal, quatro procuradores cunharam uma expressão: líder de organização criminosa. É assim que o ficha suja do Pará - que já era ficha suja àquela altura de suas roubalheiras - é chamado. Diz a ação, literalmente: “Jader Fontenelle Barbalho, líder da organização criminosa, estabeleceu um sistema de controle da direção da Sudam, com a finalidade de deixar fluir os recursos do Finam para seus comparsas de forma fraudulenta, depois tornar estes recursos ‘limpos’ , dando-lhes circulação econômica regular meramente aparente e inexistente.”

O bandido fica exasperado toda vez que alguém relembra esses trechos de sua lustrosa biografia de corrupto. E fica ainda mais exasperado quando se menciona o nome de Pedro Taques, brilhante senador por Mato Grosso e um dos signatários da ação penal proposta contra o meliante, quando ainda era procurador da República.


Pois foi o mesmo Pedro Taques que, da tribuna, disse o seguinte sobre os corruptos: “Não podemos ter medo das palavras. Quem rouba o dinheiro público é nojento - daí, hediondo -, porque o dinheiro público roubado causa vítimas que são indeterminadas. A corrupção mata! A corrupção rouba o futuro de crianças”.


O orgulhoso de roubar o Pará é corrupto. É, pois, nojento. Porque suas nojeiras causam prejuízos a vítimas indeterminadas. Sua vagabundagem impõe danos à coletividade. Suas malfeitorias impedem que o Poder Público aplique recursos inclusive em favor de crianças.Pois esse nojento, muito embora ladrão e vagagundo, não tem mais vergonha de nada. Nem de ser nojento, nem de ser ladrão, nem de ser vagabundo.

Fonte:  O Liberal

Nenhum comentário:

Postar um comentário